Em clima de comoção, vítimas de chacina são sepultadas

- segunda-feira - 06/03/2017 Polícia

As irmãs Julyane, Rafaela e Fabiana engrossam a lista de homicídios por violência doméstica no Oeste do Estado, região com o maior número de mortes desse tipo em Santa Catarina nos últimos dois anos

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Cunha Porã

 

As três jovens vítimas do triplo homicídio ocorrido segunda-feira, 27, em Cunha Porã, foram sepultadas terça-feira. A família Horbach, revoltada, se reuniu para chorar e lamentar a morte de Julyane, 23 anos, Rafaela, 15 anos, e Fabiane Horbach, de 12 anos, na Linha Sabiazinho, interior de Cunha Porã. O assassino é o ex-namorado de Rafaela, Jackson Lahr, 24 anos, que tinha um filho com a vítima, apesar da pouca idade. Ele está preso, mas, em depoimento na delegacia da cidade, alega não se lembrar de nada. As três foram mortas a golpe de facão dentro da casa e o marido de uma das vítimas, Gilvane Meyer, 25 anos, só escapou da chacina porque se fingiu de morto após ser ferido. Ele está internado no Hospital Regional de São Miguel do Oeste.

Julyane e Rafaela moravam com o marido da mais velha, Gilvani Meyer, e o filho de Rafaela, de dois meses. Fabiane tinha ido visitar as irmãs no feriado e acabou sendo vítima também. Sobraram o bebê, ileso, e Meyer.  “ É terrível, era para a gente estar junto e agora as três estão ali”, disse o pai, Neuri Horbach, 52 anos, apontando para o caixão das filhas, que foram veladas no salão da Igreja Evangélica Congregacional do Brasil, em Cunha Porã.  “Acho que foi vingança pois ela não queira mais ele”, afirmou Neuri.

Ele disse que a filha começou a namorar com Lahr e engravidou dele ainda com 14 anos. Mas depois ela havia descoberto que o namorado tinha outra. Com isso, terminou o relacionamento e deixou de permitir que ele visitasse a criança. Neuri confirma as ameaças que o ex-namorado fez. Primeiro foi para a irmã mais velha, que teria acolhido Rafaela em sua casa. Depois se estendeu para toda a família. “Ele afirmou que iria matar todos”, revela. Não adiantou o boletim de ocorrência e a medida judicial que impedia ele de se aproximar. O pai das vítimas ressaltou que quer justiça.

Em depoimento à polícia, Jackson afirmou que não se lembra do momento em que teria esfaqueado as vítimas. Mas, segundo o delegado responsável pelo caso, Joel Specht, não há dúvida sobre a autoria dos triplo homicídio. Em depoimento, ele teria dito que cometeu o crime após ter sido impedido de ver a filha de dois meses que tinha com Rafaela.

ESTATÍSTICAS

As irmãs Julyane, Rafaela e Fabiana engrossam a lista de homicídios por violência doméstica no Oeste do Estado, região com o maior número de mortes desse tipo em Santa Catarina nos últimos dois anos. Em 2016, 15 mulheres foram mortas pelo parceiro ou parente no Oeste, quatro casos a mais do que o registrado no Norte, segunda região do Estado com o maior número de ocorrências. Já em 2015, houve 18 assassinatos, enquanto o Vale do Itajaí somou 14. Além do crime desta semana, em 23 de janeiro duas mulheres e um homem foram mortos em Barra Bonita, também pelo ex-namorado de uma delas.

De acordo com a delegada responsável pela Coordenadoria das Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher, Criança, Adolescente e Idoso de SC, Patrícia Zimmermann D'Ávila, o triplo homicídio deve ser enquadrado como feminicídio, com pena prevista entre 12 e 30 anos para cada caso. Para Patrícia, apesar de as estatísticas apontarem mais casos no Oeste, não há como analisar os motivos dessa diferença em relação às outras regiões. “A questão do crime contra a vida não tem parâmetro. Quando falamos de feminicídio, é difícil de prever”, diz.

Para diminuir as estatísticas, a delegada acredita que o melhor a ser feito é o trabalho com equipes multidisciplinares, onde há o acompanhamento da vítima, dos autores e até mesmo dos filhos. Esses grupos atuam quando as mulheres registram boletins de ocorrência. No entanto, somente 81 cidades catarinenses possuem estrutura para o serviço e, na maioria dos casos, as vítimas retiram as queixas por medo ou mudança de comportamento do parceiro.



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