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Boca no trombone – Por Euclides Staub

Jornal Imagem - 09/08/2026 10:07 - Visualizações: 62

Boca no trombone – Por Euclides Staub

Divisão do horário eleitoral e propaganda em 2026

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A eleição presidencial de 2026 começa a ganhar contornos também fora dos palanques. Com a definição do tempo destinado a cada candidatura no rádio e na televisão, a força das bancadas partidárias e das alianças volta a mostrar seu peso na disputa.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu a distribuição do horário eleitoral gratuito, que será exibido entre 28 de agosto e 1º de outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá a maior fatia entre os candidatos à Presidência: aproximadamente 5 minutos e 32 segundos em cada bloco.

O tempo é resultado da composição de sua aliança, que reúne a federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV — além de PSB, PDT e da federação PSOL-Rede.

Na segunda posição aparece o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com cerca de 4 minutos e 20 segundos. Embora o PL tenha uma das maiores bancadas da Câmara, a ausência de uma ampla aliança nacional limita o espaço destinado ao candidato.

A diferença entre os dois principais nomes é superior a um minuto por bloco. Em uma campanha marcada pela disputa de atenção do eleitor, esse intervalo representa uma vantagem considerável de exposição.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) aparece na sequência, com aproximadamente 2 minutos e 2 segundos. O PSD chega a esse resultado com base, principalmente, na bancada de 42 deputados federais eleitos em 2022.

Entre os demais candidatos, o espaço é significativamente menor. Augusto Cury (Avante) terá cerca de 36 segundos de propaganda. Já Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não terão tempo no horário eleitoral gratuito, por não atenderem aos critérios da cláusula de desempenho.

E aqui está um dos pontos mais interessantes da regra: o horário eleitoral não é simplesmente dividido de maneira igual entre os candidatos. O tamanho das bancadas e a capacidade de formar alianças partidárias interferem diretamente na quantidade de tempo disponível.

Para 2026, 90% do tempo destinado aos partidos considera o número de deputados federais eleitos em 2022. Os outros 10% são distribuídos igualmente entre as legendas que cumprem a cláusula de desempenho.

Na prática, o rádio e a televisão acabam refletindo a estrutura construída pelos partidos ao longo das eleições. Quanto maior a representação parlamentar e mais ampla a coligação, maior tende a ser a vitrine disponível para o candidato.

A propaganda presidencial será veiculada às terças, quintas e sábados, com dois blocos diários de 12 minutos e 30 segundos, além das inserções de 30 e 60 segundos durante a programação das emissoras.

O contraste com 2022 também chama atenção. Naquela eleição, Lula teve 3 minutos e 23 segundos no primeiro turno, contra 2 minutos e 45 segundos de Jair Bolsonaro. Quatro anos depois, o cenário de alianças e bancadas mudou, e o tempo de televisão acompanha essas mudanças.

Mais do que alguns minutos diante das câmeras, a distribuição definida pelo TSE revela uma velha característica da política brasileira: aliança partidária e representação no Congresso continuam sendo ativos importantes na construção de uma campanha presidencial.

Em uma eleição cada vez mais disputada também pelas redes sociais, resta saber quanto esse espaço tradicional de rádio e televisão ainda será capaz de influenciar o eleitor. O tempo está definido. A disputa, agora, é pelo conteúdo.

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