Jornal Imagem - Santa Catarina - 08/09/2026 11:02 - Visualizações: 50
Autores: Sensei André Laskoski, 5º Dan (direita), e Julcemar D. Kessler, 2º kyu (esquerda) Associação de Chapecó
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Quando se fala em Karate, muitas pessoas pensam imediatamente em golpes, competições ou defesa pessoal. Esses elementos fazem parte da prática, mas não a definem por completo. O Karate que praticamos é, antes de tudo, Budô: uma arte marcial compreendida como caminho de formação e desenvolvimento humano.
A expressão Karate-do pode ser traduzida como “caminho das mãos vazias”. A palavra japonesa dô significa “caminho” e indica que o treinamento não se limita ao aprendizado de técnicas. Busca-se também formar o indivíduo por meio de uma prática constante, disciplinada e orientada por valores.
Como defesa pessoal, o Karate prepara o praticante para agir diante de situações de risco. Entretanto, sua concepção de defesa é mais ampla: envolve perceber perigos, controlar impulsos, evitar confrontos desnecessários e responder com equilíbrio e responsabilidade. O objetivo não é procurar o conflito, mas desenvolver capacidade técnica e discernimento para enfrentá-lo somente quando necessário.
No aspecto físico, o treinamento trabalha coordenação motora, equilíbrio, força, mobilidade, resistência e consciência corporal. Adaptado às diferentes idades e condições individuais, pode contribuir para uma vida mais ativa, para a preservação da autonomia e para a promoção da saúde.
Seus benefícios potenciais também alcançam aspectos psicológicos. Aprender movimentos, organizar sequências e responder às mudanças do treinamento exige atenção, memória, planejamento e flexibilidade. Ao conviver com erros, correções, inseguranças e frustrações, o praticante encontra oportunidades para desenvolver disciplina, autoconfiança, perseverança e controle emocional. O Karate não substitui tratamentos médicos ou psicológicos, mas pode atuar como recurso complementar na promoção da saúde física e mental.
Em uma sociedade marcada pela velocidade das informações e pela crescente presença das tecnologias, o Karate propõe uma experiência baseada em presença, contato humano, repetição e dedicação. Seu aprendizado não é imediato: constrói-se com o tempo e ensina que o desenvolvimento pessoal exige compromisso.
No Karate tradicional, cada movimento deve ser executado como se uma única técnica pudesse decidir uma situação real. Isso não significa agir com violência, mas estar preparado para proteger a vida com eficiência, controle e discernimento. Em uma fração de segundo, o praticante precisa perceber o risco, controlar o medo e escolher a resposta mais adequada. Para aquele que pratica Karate, esse breve instante pode representar uma “eternidade”, pois nele estão reunidas técnica, consciência e decisão.
Até mesmo a competição deve ser entendida como parte desse processo. O termo japonês shiai designa o encontro em que os participantes colocam suas capacidades à prova. O adversário não é um inimigo, mas alguém que nos permite reconhecer qualidades, limitações e possibilidades de evolução. No Karate, a vitória mais importante é o aperfeiçoamento de si mesmo.
Em Santa Catarina, a Heian Karate Kyokai preserva essa concepção tradicional. Vinculada à Karatenomichi World Federation, liderada no Japão pelo mestre Mikio Yahara, mantém o Karate como arte marcial, defesa pessoal, caminho educativo e instrumento de promoção da saúde.
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