Jornal Imagem - Oeste de Santa Catarina - 15/09/2026 10:11 - Visualizações: 57
Meningite B: atenção aos casos no Oeste de Santa Catarina
Nos últimos meses, o registro de casos de meningite meningocócica, inclusive com ocorrência de óbitos, tem despertado preocupação na região Oeste de Santa Catarina. Diante desse cenário, é importante compreender a evolução da doença, seus diferentes agentes causadores e, principalmente, as formas de prevenção.
Dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC) mostram que os registros de meningite no Estado sofreram oscilações importantes ao longo da última década. Em 2016, foram registrados aproximadamente 650 casos em Santa Catarina, enquanto em 2023 esse número chegou a 993, o maior índice do período apresentado. Durante a pandemia de Covid-19, houve uma redução expressiva: 420 casos em 2020 e 358 em 2021. A partir de 2022, os registros voltaram a crescer.
Na região Oeste, o comportamento acompanhou, de maneira geral, a tendência estadual. Em 2023, foram estimados entre 100 e 130 casos, seguidos de redução nos anos seguintes. Em 2026, até o mês de agosto, os dados indicam entre 40 e 55 casos na região.
É importante lembrar que meningite não é uma única doença. Ela pode ser provocada por vírus, bactérias, fungos e outros microrganismos. Segundo dados da DIVE/SC, aproximadamente 41% a 45% dos casos são de origem viral, enquanto entre 29,6% e 31,5% são causados por bactérias, entre elas pneumococos e meningococos. Fungos e parasitas respondem por uma parcela menor dos casos, e em até cerca de um quarto das ocorrências o agente pode não ser especificado.
Embora as formas virais sejam mais frequentes, são as meningites bacterianas que despertam maior preocupação devido à sua elevada gravidade e letalidade. Entre os principais agentes estão o pneumococo e o meningococo. Dados históricos apontam taxas de letalidade muito superiores às observadas nas formas virais.
O que torna a meningite meningocócica especialmente preocupante é a velocidade com que a doença pode evoluir. Em determinados casos, a infecção pode provocar agravamento intenso em poucas horas ou dias, podendo levar à morte. Mesmo quando o paciente sobrevive, podem permanecer sequelas importantes, inclusive neurológicas.
E o que é a meningite meningocócica do tipo B?
A meningite meningocócica é causada pela bactéria Neisseria meningitidis, que apresenta diferentes sorogrupos. Entre eles estão os tipos B e C.
Historicamente, a vacinação contra o meningococo C teve papel importante na prevenção da doença. Entretanto, a ocorrência de casos associados ao meningococo B chama atenção para a necessidade de conhecer as diferenças entre esses sorogrupos e verificar a situação vacinal de cada pessoa.
O meningococo B possui características particulares em sua cápsula externa que dificultam o reconhecimento da bactéria pelo sistema imunológico. Essa semelhança com estruturas presentes no organismo humano contribui para que a resposta imunológica seja menos eficiente. Isso ajuda a explicar, em parte, por que esse sorogrupo apresenta desafios específicos para a prevenção.
Por isso, diante do registro de casos na região, a vacinação merece atenção especial. Crianças, adolescentes e adultos jovens estão entre os grupos para os quais a prevenção é particularmente relevante, e existem vacinas específicas contra o meningococo B.
Quem recebeu anteriormente apenas a vacina contra o meningococo C deve procurar orientação de um profissional de saúde para verificar se há indicação de complementação da proteção vacinal, considerando idade, histórico de vacinação e recomendações vigentes.
A meningite é uma doença que não deve ser subestimada. Informação de qualidade, reconhecimento rápido dos sinais e sintomas e vacinação são instrumentos fundamentais para reduzir o risco de complicações e mortes.
Em saúde pública, prevenir continua sendo uma das formas mais importantes de salvar vidas.
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