Jornal Imagem - Santa Catarina - 05/10/2026 09:27 - Visualizações: 122
As urnas deram o recado: Família de Bolsonaro saiu fortalecida. E o STF, enfraquecido?
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Gostem ou não os seus adversários, uma coisa precisa ser reconhecida: as urnas deram um recado político muito claro. O campo bolsonarista saiu fortalecido das eleições e ganhou musculatura para enfrentar, dentro do Congresso, instituições que nos últimos anos passaram a ocupar um espaço cada vez maior no cenário político nacional.
E isso não é pouca coisa.
Em Santa Catarina, o resultado foi particularmente expressivo. Carlos Bolsonaro e Carol de Toni, ambos do PL, conquistaram cadeiras no Senado. Não se trata apenas da eleição de dois nomes. É a demonstração de que uma parcela significativa do eleitorado decidiu colocar no Congresso representantes identificados com uma agenda de enfrentamento ao establishment político e institucional.
A pergunta inevitável é: quem perdeu com esse resultado?
Para mim, o grande derrotado politicamente foi o STF.
Não porque os ministros tenham perdido seus cargos ou suas competências constitucionais. Não perderam. E muito menos porque uma eleição tenha anulado qualquer decisão judicial. Isso seria juridicamente incorreto.
O que mudou foi outra coisa: a correlação de forças políticas.
E isso pode ser muito mais importante do que parece.
O Senado tem papel constitucional relevante na fiscalização de autoridades e, inclusive, nos processos de responsabilidade envolvendo ministros do Supremo. Portanto, uma nova composição da Casa, mais alinhada a uma visão crítica em relação ao STF, pode representar uma mudança importante na relação entre os Poderes.
Durante muito tempo, o eleitor assistiu praticamente de fora a esse confronto. Agora, pelas urnas, resolveu entrar em campo.
E aqui está o ponto que incomoda muita gente: o voto popular não é um detalhe inconveniente da democracia. É a própria essência dela.
Se o eleitor decidiu aumentar a presença de parlamentares que defendem mudanças na relação entre Congresso e Judiciário, cabe aos eleitos assumir essa responsabilidade.
Isso não significa conceder ao Congresso poderes que ele não possui. Não significa absolver automaticamente ninguém. Não significa apagar condenações judiciais com uma simples canetada política.
Significa, isto sim, reconhecer que decisões judiciais podem ser contestadas politicamente dentro dos mecanismos previstos pela Constituição, e que o Congresso também possui instrumentos institucionais para exercer suas atribuições.
No caso de Bolsonaro, a questão é ainda mais delicada. Uma condenação judicial não desaparece porque seu grupo político venceu uma eleição. Da mesma forma, os condenados pelos atos de 8 de janeiro não podem ser considerados juridicamente absolvidos simplesmente porque candidatos ou partidos de sua preferência conquistaram votos.
Mas há uma verdade política que não pode ser ignorada: as urnas mudam o ambiente em que essas questões serão discutidas.
E talvez seja justamente isso que esteja deixando tanta gente nervosa.
O eleitor não está obrigado a concordar com o STF. Também não está obrigado a concordar com Bolsonaro. Mas tem o direito de escolher representantes que defendam uma mudança na atual relação entre os Poderes.
Isso é democracia.
O grande desafio, agora, será saber o que os novos parlamentares farão com essa força.
Vão apenas fazer discursos inflamados, postar vídeos nas redes sociais e pedir votos para a próxima eleição? Ou terão coragem de utilizar, dentro da Constituição, os instrumentos que receberam das urnas?
Porque discurso qualquer político faz.
O que o eleitor está cobrando agora é atitude.
Se o novo Congresso tiver maioria suficiente, poderá discutir anistia, mudanças legislativas e exercer as competências constitucionais do Senado. Poderá, inclusive, abrir debates que durante muito tempo pareceram politicamente impossíveis.
Mas terá de fazer isso respeitando a Constituição.
É justamente aí que estará a prova.
As urnas não deram carta branca para ninguém. Deram mandato.
E mandato, em democracia, significa responsabilidade.
Por isso, talvez a frase mais provocativa — e ao mesmo tempo mais precisa — seja esta:
Bolsonaro pode não ter recuperado o poder pelas urnas, mas seu campo político recuperou força suficiente para obrigar Brasília a ouvi-lo.
E, quando o Congresso muda, a relação com o Supremo também pode mudar.
Agora resta saber quem terá coragem de transformar o resultado das urnas em ação política concreta.
Porque o recado foi dado.
E quando o povo fala pelas urnas, até quem se acostumou a falar mais alto precisa parar para escutar.
05/10/2026 18:28