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Boca no trombone – Por Euclides Staub

Jornal Imagem - 31/08/2026 14:54 - Visualizações: 23

Boca no trombone – Por Euclides Staub

O preço de um voto

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Em época de eleição, volta e meia reaparece uma prática que deveria causar indignação, mas que infelizmente ainda encontra espaço em alguns lugares: a compra de votos.

O problema vai muito além dos poucos reais, da cesta básica, do combustível, do favor ou da promessa de emprego oferecidos em troca de uma escolha nas urnas. Quando alguém compra um voto, não está apenas tentando conquistar uma eleição. Está tentando comprar o direito de decidir o futuro de uma comunidade.

E há uma ironia perversa nessa história: o eleitor pode receber alguma vantagem imediata, mas a conta costuma chegar depois — e é paga por todos. Quando um mandato é conquistado por meio de favores e dinheiro, a política corre o risco de deixar de ser instrumento de interesse público para se transformar em investimento particular. Quem compra votos pode passar a enxergar o cargo como algo que precisa dar retorno.

Também é preciso reconhecer que a responsabilidade não pode ser colocada apenas sobre quem aceita a oferta. A compra de votos prospera quando existe necessidade, desinformação, dependência e, principalmente, quando a sociedade passa a encarar a prática como algo "normal".

Não é normal.

Voto não é mercadoria. Não tem preço, prazo de validade ou dono. É uma das poucas ferramentas que o cidadão tem para dizer, de maneira direta, quem deseja que o represente e quais caminhos espera que sejam seguidos.

Por isso, diante de uma proposta de compra de voto, a melhor resposta não é discutir quanto vale. É questionar por que alguém está disposto a pagar para obter um mandato.

Uma eleição pode até ser disputada com dinheiro, estruturas e estratégias. Mas uma democracia saudável precisa ser decidida por consciência.

No fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja "quanto estão oferecendo pelo meu voto?", mas "quanto todos nós vamos pagar se eu vender a minha escolha?".

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