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Editorial – Por Euclides Staub

Jornal Imagem - 12/09/2026 11:05 - Visualizações: 48

Editorial – Por Euclides Staub

O que impede o Brasil de enriquecer

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O diagnóstico não é complicado. Economistas e analistas de diferentes vertentes e escolas de pensamento, embora divirjam em muitos aspectos, convergem em um ponto essencial: o Brasil convive há décadas com duas doenças econômicas que se alimentam mutuamente — um Estado que pesa demais e uma economia que produz de menos.

O Estado brasileiro absorve uma parcela elevada da riqueza nacional, gasta muito, gasta mal e entrega menos do que poderia. O resultado é conhecido: sobra menos espaço para aquilo que efetivamente impulsiona o desenvolvimento de um país — investimento, inovação, empreendedorismo e aumento da produtividade.

A carga tributária brasileira atingiu, em 2024, cerca de 32% do Produto Interno Bruto, o maior nível da série histórica. O problema, porém, não está apenas no tamanho da arrecadação. Está também na complexidade do sistema, na baixa qualidade do gasto público e na dificuldade do Estado em transformar recursos arrecadados em serviços eficientes e oportunidades para a população.

O gigantismo estatal não surgiu de uma hora para outra. É resultado de décadas de expansão das despesas obrigatórias, de baixa capacidade de planejamento e de uma estrutura administrativa complexa, que frequentemente privilegia a manutenção da própria máquina em detrimento dos investimentos necessários para elevar a capacidade produtiva do país.

Mas há um segundo problema, talvez ainda mais preocupante: o Brasil cresce pouco e, sobretudo, cresce menos do que poderia.

Há anos a produtividade permanece praticamente estagnada, enquanto o investimento perde dinamismo e a economia encontra dificuldades para criar um ambiente favorável à inovação e à competição. O que deveria ser encarado como uma anomalia passou a ser tratado como normal. O crescimento medíocre foi incorporado à rotina nacional, como se fosse uma doença crônica com a qual simplesmente tivéssemos aprendido a conviver.

Não se trata, portanto, de uma crise passageira. É um problema estrutural.

O Brasil não está permanentemente à beira do colapso, mas corre o risco de perder, pouco a pouco, a capacidade de enriquecer. E isso ocorre justamente em um momento em que o país deveria aproveitar melhor suas vantagens, inclusive o bônus demográfico — período em que a população em idade ativa tem maior peso em relação a crianças e idosos.

Desperdiçar essa oportunidade terá um custo elevado.

Um país que deixa de enriquecer compromete todo o restante. Com pouco crescimento, os salários avançam lentamente, as oportunidades se tornam mais escassas, os investimentos diminuem e os jovens passam a enxergar no exterior alternativas que não encontram em seu próprio país. Ao mesmo tempo, um Estado com baixa eficiência enfrenta dificuldades cada vez maiores para financiar políticas públicas de qualidade.

É preciso romper esse ciclo.

Isso exige mais do que aumentar ou reduzir impostos de forma isolada. Exige enfrentar o crescimento das despesas obrigatórias, simplificar o sistema tributário, melhorar a qualidade do gasto público, recuperar a capacidade de investimento e criar condições para que empresas e trabalhadores produzam mais. Exige, sobretudo, colocar a produtividade no centro da agenda nacional.

Enriquecer não significa apenas aumentar números no PIB. Significa criar condições para que uma geração viva melhor do que a anterior, tenha mais oportunidades, receba melhores salários e possa planejar o futuro com maior segurança.

Talvez o sinal mais preocupante da estagnação brasileira esteja justamente aí: muitos pais já não têm a certeza de que seus filhos viverão melhor do que eles.

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