saude

Revendo o passado

Jornal Imagem - 16/06/2026 17:47 - Visualizações: 14

Revendo o passado

Somos todos iguais perante a lei

Ouça esta notícia

Narração

Em uma sociedade marcada pela discriminação racial e pela banalização da violência contra a mulher, um caso demostra que essa mesma sociedade, quando engajada e consciente da dor do outro, consegue dar uma resposta justa a uma comunidade enlutada.

Trata-se da condenação de um homem branco, que estuprou e matou, se aproveitando da condição de vulnerabilidade de uma menina indígena de 14 anos, e que foi condenado a uma pena de 47 anos, 2 meses e 20 dias. Sendo apontada como a primeira condenação por etnofeminicídio do Brasil, uma vez que motivada pelo desprezo à condição de mulher e indígena da vítima.

O julgamento ocorreu em Coronel Bicaco, pequena cidade de ruas contidas e horizontes largos, onde o vento passa por entre as lavouras de soja como quem carrega segredos antigos, a justiça ganhou voz. Na comarca que por dias concentrou olhares e fôlegos suspensos, o nome de Daiane Griá Sales deixou de ser apenas memória e se tornou sentença.

O réu, Dieison Corrêa Zandavalli, foi condenado a trinta e seis anos e seis meses, que após recurso do Ministério Público se tornaram 47 anos, 2 meses e 20 dias de prisão. A decisão ecoou no plenário como um trovão tardio — daqueles que demoram a chegar, mas quando chegam fazem tremer o chão.

Na Terra Indígena Guarita, onde a estrada vermelha parece nunca terminar e o pó sobe leve sob os passos de quem caminha, Daiane ainda é menina correndo entre árvores. Sonhava ser professora. Gostava de dançar. Cantava no coral da igreja. Tinha quatorze anos e um futuro inteiro pela frente.

Leia esta História e muito mais no livros Negros & Índios do Sargento Staub e do Coronel Pansera

Galeria de fotos

×
+