PublicidadePublicidade
politica

Boca no trombone – Por Euclides Staub

Jornal Imagem - 05/09/2026 09:43 - Visualizações: 72

Boca no trombone – Por Euclides Staub

Pesquisas & Pesquisas – Quem está na frente?

Ouça esta notícia

Versão em áudio

A segunda semana oficial de campanha para as eleições de 2026 traz um sinal que, até pouco tempo atrás, parecia improvável: Flávio Bolsonaro, do PL, começa a se aproximar de Lula, do PT, e chega a ameaçar a liderança do atual presidente em cenários de segundo turno.

Quatro pesquisas divulgadas na última semana — Nexus/BTG Pactual, Gerp, Indexa/Broadcast e PoderData — desenham uma eleição muito mais competitiva do que uma leitura apressada dos números poderia sugerir. No primeiro turno, a distância entre Lula e Flávio varia de apenas um a seis pontos percentuais. No segundo, a disputa fica ainda mais apertada: há cenário de empate técnico e até levantamento que aponta vantagem do senador.

No primeiro turno, Lula ainda aparece numericamente à frente na maior parte dos levantamentos. Na pesquisa Nexus/BTG Pactual, o petista soma 40% das intenções de voto, contra 34% de Flávio. Na Indexa/Broadcast, os números são semelhantes: 39% para Lula e 33% para o candidato do PL.

Mas é na pesquisa Gerp que surge o primeiro sinal mais contundente de mudança. Flávio aparece com 38%, um ponto à frente de Lula, que registra 37%. Como a diferença está dentro da margem de erro, trata-se de empate técnico.

No PoderData, Lula mantém a liderança numérica, com 38%, contra 35% de Flávio. Uma vantagem de apenas três pontos, que também coloca os dois em situação de empate técnico.

Mais importante do que a fotografia isolada de cada pesquisa, portanto, é observar o movimento. E o movimento mostra Flávio Bolsonaro reduzindo a distância para Lula.

É no segundo turno que a disputa muda de figura

Se Lula ainda consegue sustentar alguma vantagem no primeiro turno, o quadro se altera significativamente quando os institutos simulam um confronto direto entre os dois.

A exceção é a pesquisa Indexa/Broadcast, na qual Lula aparece com 46%, contra 40% de Flávio. Nos demais levantamentos, entretanto, a vantagem petista praticamente desaparece.

O caso mais expressivo é o da Gerp. Flávio Bolsonaro aparece com 47% das intenções de voto, enquanto Lula registra 42%. A diferença de cinco pontos supera a margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

E não se trata apenas de uma fotografia recente. Na rodada anterior da Gerp, Flávio já aparecia numericamente à frente, mas em situação de empate técnico: 45% contra 43%. Agora, a vantagem cresceu.

Na Nexus/BTG Pactual, a distância é ainda menor: Lula tem 46%, contra 45% de Flávio. É, novamente, um empate técnico. E há um dado particularmente relevante na trajetória: em meados de junho, a vantagem de Lula chegava a seis pontos percentuais. Na rodada anterior, realizada em 17 de agosto, havia caído para três.

O PoderData conta história semelhante. Lula aparece com 45%, contra 44% de Flávio. A diferença, portanto, é de apenas um ponto percentual. Em maio, a vantagem numérica do petista era de quatro pontos e foi diminuindo nas rodadas seguintes.

O que os números dizem — e o que ainda não dizem

Pesquisa eleitoral não é resultado de eleição. É fotografia, não sentença. E, faltando ainda um longo caminho até as urnas, seria precipitado tratar qualquer candidato como favorito definitivo.

Mas pesquisas também servem para identificar tendências. E a tendência mais evidente neste momento é a redução da distância entre Lula e Flávio Bolsonaro.

O dado mais importante talvez não esteja nos percentuais isolados, mas na velocidade com que o cenário vem mudando. Flávio cresce, Lula perde gordura e o segundo turno, que poderia parecer previsível em uma primeira leitura, começa a assumir contornos de disputa real.

Isso também recoloca no centro do debate uma questão decisiva para 2026: até que ponto o eleitorado brasileiro continuará dividido entre lulismo e bolsonarismo? E, principalmente, qual dos dois campos terá maior capacidade de ampliar sua votação para além de sua base tradicional?

Flávio carrega o peso e, ao mesmo tempo, o patrimônio político do sobrenome Bolsonaro. Lula, por sua vez, mantém uma marca eleitoral consolidada e uma base historicamente fiel. O confronto entre os dois, caso se confirme, não será apenas uma disputa entre candidatos, mas entre dois projetos políticos que há anos organizam a polarização brasileira.

Por enquanto, uma coisa parece cada vez mais clara: a eleição de 2026 está longe de estar decidida — e Flávio Bolsonaro deixou de ser apenas um nome competitivo para se tornar uma ameaça concreta à liderança de Lula.

Anúncios

+